AOS 93 ANOS, CONTINUO DESCOBRINDO O FUTURO
Tenho 93 anos e uma curiosidade que parece não envelhecer. Sou engenheiro de formação e artista por descoberta.
Ao longo da vida, atravessei diferentes universos da criação: comecei pela fotografia em preto e branco, passei pelo desenho, pela xilogravura, pela arte digital e, hoje, encontro-me diante de uma das mais extraordinárias transformações tecnológicas da história: a inteligência artificial.
Aos 93 anos, enquanto muitos da minha geração procuram compreender o passado, continuo interessado em explorar o futuro. Não vejo a inteligência artificial como uma ameaça à criatividade humana, mas como uma extraordinária ampliação de suas possibilidades.
Aprendo, experimento, erro, recomeço e descubro diariamente novas maneiras de transformar ideias em imagens.
O que mais me fascina não é apenas a tecnologia, mas o diálogo entre a experiência acumulada durante quase um século e as possibilidades de uma ferramenta que praticamente acaba de nascer. A inteligência artificial não substitui minha imaginação, minha sensibilidade ou minha história. Ela me oferece novos caminhos para expressá-las.
Talvez exista nisso um belo paradoxo: aos 93 anos, utilizo uma das tecnologias mais jovens da humanidade para continuar fazendo aquilo que sempre me fascinou — criar. Não pretendo competir com o tempo, nem desafiar a idade. Quero simplesmente continuar participando da vida, pensando, questionando e produzindo.
Porque envelhecer é inevitável.
Deixar de descobrir, não.
Henrique Azevedo — 93 anos, engenheiro, artista e aprendiz permanente.
